Terceiras Impressões

HQ: PALESTINA – EDIÇÃO ESPECIAL

DESCOBRINDO O JORNALISMO EM QUADRINHOS

Palestina – Edição Especial
Joe Sacco (1996)

Editora Conrad (edição de 2011)
Páginas: 286

Contracapa: […] Primeira HQ de não-ficção de Joe Sacco, que tornou seu nome sinônimo de jornalismo em quadrinhos. Baseado em meses de pesquisa e uma longa viagem ao Banco Ocidental e à faixa de Gaza, Palestina mostra ao leitor  a linha de frente dos conflitos na região.

Em meio a tiroteios e bomba de gás no mercado, soldados espancando civis, bloqueios nas estradas e hospitais cheios de feridos, Joe Sacco entrevistou mais de cem pessoas, entre palestinos e judeus. É o retrato da história contada pelos prisioneiros, refugiados, protestantes, crianças feridas, fazendeiros que perderam suas terras e famílias destruídas pela guerra. […]

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: Primeira HQ jornalística que tive contato. Aliás, em minha ignorância, nem sabia que existia HQ jornalística. Passeei pelo Submarino e opa! Promoção, dezenove reais, porque não? É um tema que me interessa. Quando a entrega chegou, só pensava em como não ia conseguir ler na condução para o trabalho, porque era um livro grande e pesado que não ia caber na minha bolsa. Capa okay, papel legal, arte singular, meio bizarra. Passado o estranhamento inicial, fui trabalhar de mochila

SEGUNDAS IMPRESSÕES: No Início da década de 90, Joe Sacco viajou pela área do conflito Israel-Palestina, colhendo relatos atrozes de várias classes de pessoas afetadas pela guerra. O foco da narrativa é voltado especial e intencionalmente para o cotidiano  e luta dos palestinos; ao contrário do que a mídia mostrava, Sacco não quis representá-los apenas como terroristas e atiradores de pedras, mas procurou mostrar o outro lado da história: os marginalizados e miseráveis, os famintos, os refugiados e torturados, as crianças amputadas. Ele mesmo é um personagem desta reportagem em quadrinhos: um jornalista americano, autônomo, com conceitos, pré-conceitos, um certo esforço para se desconstruir – mesmo que algumas vezes sem muito sucesso – e que deixa clara a sua posição sobre o conflito.

O prefácio é interessante e há também um texto do próprio autor, sobre o desenvolvimento da ideia e o trabalho de campo,  assim como alguns resumos das páginas de seu diário, que serviram de base para a criação da hq. Os desenhos têm riqueza de detalhes e o traço não é exatamente bonito de se ver. As fisionomias são caricatas e as emoções, principalmente a tristeza e a raiva, são retratadas de forma exagerada e intensa, porém isso não se torna um problema; conforme se mergulha na história, percebe-se que o estilo não poderia se encaixar melhor na narrativa.

TERCEIRAS IMPRESSÕES: É seco, sem massagens. Em certos momentos, fica um pouco difícil de digerir, principalmente quando se sabe que são histórias reais. Embora eu tenha entendido o enfoque que o autor quis dar, o que talvez tenha me incomodado um pouco foi a escassez de relatos de israelenses. A clara desigualdade de força nos faz instintivamente sair em defesa do mais fraco, porém deve-se tomar cuidado para não cair na armadilha de usar isso para justificar uma retaliação terrorista. Independente do poder bélico ou de proteção internacional, quem paga sempre são civis inocentes, tanto de um lado quanto do outro. A sensação que fica mesmo, é que muitos perdem e que a vitória – se é que realmente existe –  nada mais é que outro tipo de derrota.

 

Se você conhece alguma HQ Jornalística, indique nos comentários!
Se não, comente também e diga o que achou! 🙂
 

  • Carla A.

    Oi, Toni!
    Ganhei um livro do autor em um sorteio, estou esperando chegar. Confesso que também não conhecia HQs jornalísticas, mas a ideia me parece interessante. Importante essa visibilidade que ele deu aos palestinos, de fato a mídia de uma maneira geral acaba focando no lado dos que são considerados “mocinhos” e esquecem que do outro lado não existem apenas terroristas. Pena o enfoque nos israelenses não ter sido tão grande.

  • Maria Luíza Lelis

    Oi, tudo bem?
    Nossa, não conhecia essa HQ. Aliás, nem sabia que existia HQ jornalística.
    Achei muito interessante o enfoque escolhido, mas é uma pena que não tenha sido mostrado o lado israelense também. Como você disse na resenha, independente do poderio bélico de cada lado, quem mais sofre são os civis e há inocentes dos dois lados.
    De qualquer forma, adorei a resenha e vou anotar a dica.
    Beijos!

  • Larissa Oliveira

    Oi!
    Não sabia que existia essa categoria de HQs e consequentemente não conhecia esse título mas achei muito interessante essa maneira de falar de temas reais, uma pena que nem todos os lados foram mostrados nesse caso. Ainda assim parece ser uma leitura que vale a pena.
    Adorei a maneira como você estrutura a sua resenha, todas as impressões são bem detalhadas e me identifiquei muito com os pensamentos que você tem na primeira.
    Beijos!

  • olá… adoro a obra de Joe Sacco, recentemente finalizei mais um de seus trabalhos… sou apaixonada por quadrinhos e os de cunho histórico/jornalístico são demais apreciados por mim, principalmente na minha área…
    Sobre a parcialidade de Sacco com referência aos ‘mais fracos’ é até compreensível, visto que ele serve como ‘porta-voz’ desse lado que a mídia não mostra. Apesar de todas as injustiças cometidas contra os judeus ao longo de séculos, e um dos mais em pauta – Holocausto – percebe-se a ‘proteção’ que Israel tem hoje devido a ligações políticas/militares com os EUA. Mas concordo em absoluto com você com relação aos civis, que de ambos os lados, só se ferram nessa história…

    Posso te indicar Gorazde, do mesmo autor. É uma leitura visceral, sobre a guerra nos Bálcãs – entre sérvios e bósnios – no início da década de 1990…

    • Olá!
      Sim, compreendi perfeitamente o enfoque que o autor quis dar. Como disse, apensa senti falta de mais relatos civis israelenses.
      E obrigada pela dica! Está anotada! 🙂

  • ̷A̷r̷t̷h̷u̷r̷ ̷S̷a̷n̷t̷o̷s̷

    Oi, nunca li nenhuma hq do autor, mas achei a premissa muito interessante e um assunto muito importante, achei muito bacana a forma que o autor contou essas histórias. Já tá na minha lista de compras, adorei a dica.
    Abraços
    http://imaluado.blogspot.com

  • Morgana Brunner

    Olá, tudo bem?
    Primeiro preciso dizer que não conhecia o autor e nem o HQ, gostei do tema abordado e com toda certeza adoraria ter a oportunidade de ler, sei que emocionaria e me levaria a querer mais livros de sua autoria.
    Beijinhos da Morgs!

  • Italo Bernardo

    Como você disse, eu na minha ignorância também não sabia da existência de HQs jornalísticas e achei a ideia bem bacana. Acredito que seja para amenizar as barbaridades da guerra e expressar de uma melhor forma, já que as gravuras em HQs trazem uma força de expressão muito grande. A falta de relatos israelenses foi algo bem chato, pois como você falou, tem-se que saber os dois lados da história independente do poder bélico. Beijos do Wes ^^

    • Pois é… Só que nesta hq não foi nada amenizado. Na realidade, é bem pesado. =/

  • Carolina Fernandes (Niina)

    Oii
    também não conhecia este tipo de HQ não. Mas pode-se culpar o fato de eu não ser uma leitora de HQ (leio mangá as vezes, mas não conta). A história parece ser bem pesada pela temática e o fato de serem verídicas. Como costumo dizer, eu leio para fugir da maldade do mundo, não para encontrá-la.

    Vícios e Literatura

  • Saga Literaria

    Olá Toni, tudo bem?

    Cara eu não conhecia essa HQ e parece ser bem legal. Eu confesso que não tenho como forte os quadrinhos/hqs. Acho ‘compreensível’ essa parcialidade do autor para com os fracos. Ah eu também não conhecia o autor, vou pesquisar mais sobre ele.
    Abraço!

  • Não conhecia também e achei interessante esta ideia. O HQ tem ganhado novos ares e uma importância na literatura que eu não imaginava.
    Bjs

  • Amanda Marques

    Oii, tudo bem?

    Infelizmente HQ não é meu forte /:

    Mas ainda sim amo conhecer um pouco mais sobre tal gênero. Achei bem interessante esta premissa!

    Sobre o autor Joe Sacco, também é muita novidade para mim! Anotarei a dica. Quem sabe em um futuro próximo minha mente me dê uma chance de encantar com HQ (:

    Abraços!

    • Ah, arrisque-se. Hqs de qualquer gênero, têm muito a oferecer! 🙂

  • LITERABOOK

    Olá, tudo bem? Confesso que não conhecia HQ jornalística não. Para mim é um tema novo que quero explorar. Gostei bastante do que é trabalhado, pelo que você passou, e por isso dica anotada. Pena que não conheço nenhum outra para te indicar. Ótimas impressões.
    Beijos,
    diariasleituras.blogspot.com

  • Gabriela Cerqueira

    Gosto bastante de coisas jornalisticas, documentários e etc, e trazer isso em forma de quadrinhos é um jeito ótimo de tratar um assunto extremamente sério e pesado de um jeito mais descontraido, gostei muito da dica.

  • Olá, tudo bem? Sua resenha ficou perfeita, adorei conhecer essa HQ! Também não tinha tido contato com hqs jornalísticas, e achei bem interessante, fiquei curiosa para conferir essa! Só pelas fotos vejo que não irei gostar do traço, mas pelos relatos eu darei uma chance sim.
    Beijos!!

  • Raquel Cavasini

    Olá…

    Já faz um tempinho q eu não leio HQs…essa eu não conheica e gostei bastante da sua sugestão.

    Abraços

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